O número de pacientes que deixam de comparecer a consultas e exames agendados pela rede municipal de saúde foi tema de manifestações dos vereadores Douglas Cenci, Carlos Zibetti, Moacir Bossardi e Luciano Ramos durante a sessão ordinária
O número de pacientes que deixam de comparecer a consultas e exames agendados pela rede municipal de saúde foi tema de manifestações dos vereadores Douglas Cenci, Carlos Zibetti, Moacir Bossardi e Luciano Ramos durante a sessão ordinária. Os parlamentares chamaram a atenção para o impacto das ausências nas filas de espera, mas também apontaram a necessidade de avaliar a comunicação e a organização do sistema de atendimento.
Douglas Cenci apresentou dados referentes às ultrassonografias. Conforme os números citados pelo vereador, no último mês foram liberados 859 exames, dos quais 200 não tiveram o comparecimento dos pacientes. O número representa 23,28% do total, ou seja, praticamente um em cada quatro exames disponibilizados. Para Cenci, a situação preocupa especialmente porque outras pessoas permanecem aguardando pelo mesmo procedimento. O vereador ressaltou que os dados não justificam as filas existentes, mas defendeu maior conscientização dos usuários para que, quando não puderem ou não precisarem mais comparecer, comuniquem antecipadamente a Secretaria Municipal da Saúde ou o DACA, possibilitando o aproveitamento da vaga por outro paciente.
Carlos Zibetti também comentou os números e defendeu uma análise mais aprofundada dos dados para identificar as razões das ausências e possíveis falhas no sistema. Segundo ele, ao mesmo tempo em que são registrados pacientes que não comparecem aos procedimentos agendados, os vereadores recebem reclamações de pessoas que enfrentam dificuldades para conseguir atendimento.
Zibetti citou relatos recentes de falta de médicos em unidades de saúde dos bairros Imperial e Toscano. Também mencionou o caso de um morador que, conforme relatado ao vereador, aguarda desde 6 de fevereiro de 2025 por uma ultrassonografia de abdômen total.
Moacir Bossardi reforçou a preocupação com os pacientes que recebem a oportunidade de realizar consultas ou exames, mas não comparecem nem comunicam a desistência. Para o vereador, avisar previamente permitiria que a vaga fosse destinada a outra pessoa que também aguarda atendimento.
Bossardi destacou ainda que a questão exige responsabilidade por envolver diretamente a saúde da população. “Com saúde a gente não brinca”, afirmou, defendendo maior compromisso dos usuários com os horários disponibilizados.
Luciano Ramos também abordou os dados do chamado “faltômetro”. Conforme os números apresentados pelo vereador, entre 710 consultas especializadas, houve 99 ausências, sendo 58 delas em atendimentos de ortopedia. Ramos avaliou que parte dos pacientes pode ter buscado atendimento particular durante o período de espera e, nesses casos, defendeu que a desistência seja comunicada ao serviço público para que a vaga possa ser destinada a quem continua aguardando.
Ao mesmo tempo, Luciano Ramos apontou situações que, segundo ele, demonstram a necessidade de melhorar a organização do próprio sistema. O vereador relembrou o caso apresentado anteriormente à Câmara pelo senhor Inácio, envolvendo um exame de endoscopia destinado à esposa. Segundo Ramos, a família comunicou que o procedimento não seria mais necessário após o falecimento da paciente, mas, cerca de 20 dias depois, recebeu uma ligação informando que o exame havia sido liberado.
Luciano também retomou os números das ultrassonografias: 859 procedimentos liberados e 200 ausências. Ele lembrou que, no ano passado, destinou suas emendas impositivas para a área da saúde, com recursos voltados à realização de exames de ultrassonografia, com o objetivo de contribuir para a redução da fila.
O vereador reconheceu que a demora pode levar pacientes a procurar outras alternativas de atendimento, mas pediu que, nesses casos, seja feita a comunicação ao SUS. “Tenha empatia com quem precisa e avise que não precisa mais desse exame”, afirmou.